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30/09/2017
Mesmo com aumento de 11% nas doações, país ainda tem grande fila de espera
A última edição do Registro Brasileiro de Transplantes, referente ao primeiro semestre deste ano e elaborado pela Associação Brasileira de Doação de Órgãos e Tecidos (ABTO), mostra que houve aumento de 11% nas doações. Aumentou também o número de transplantes de rim (5,8%), fígado (7,4%) e córneas (7,6%), mas caíram os de coração (-3,6%), pulmão (-6,5%) e pâncreas (-6,0%).
O Brasil é destaque no contexto mundial de doação de órgãos, principalmente por ter o maior sistema público de transplantes do mundo. Dados do Ministério da Saúde indicam que 95% dos procedimentos são realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Os números positivos do setor devem-se, em grande parte, aos trabalhos das comissões espalhadas pelos hospitais de todo o país. Portaria de 2005 do Ministério da Saúde determina que unidades com mais de 80 leitos precisam, obrigatoriamente, formar suas equipes para promover campanhas de conscientização, conversar com a família quando da morte do potencial doador e acionar equipes de captação e o órgão responsável pela fila daquele órgão ou tecido, o qual vai indicar o hospital de destino e o responsável pelo transporte.
Fila de Espera
Apesar disso, o documento contabiliza que no país 32.956 brasileiros estão na fila de espera por algum órgão. É uma luta contra o tempo para renovar uma vida. No caso de coração e pulmão, os médicos têm apenas 4 horas desde que aparece um doador e enfrentam muitas barreiras. Entre elas, a dor da família que perdeu uma pessoa amada e a distância que muitas vezes separa o doador de quem precisa daquele órgão.
Um dado preocupante é taxa de recusa da família. No Brasil, a única maneira de se tornar um doador é manifestando esse desejo aos seus familiares, que vão autorizar ou não o uso dos órgãos e tecidos para transplante. Ainda segundo o relatório, entre janeiro e junho deste ano, 43% das mais de 5 mil notificações de possíveis doadores foi negada por parentes.
Essa é uma das grandes preocupações destacadas em campanhas que celebraram o Dia Nacional de Doação de Órgãos, celebrado na última quarta-feira, 27 de setembro.
Estrutura
Não é a falta de estrutura, mas a negativa familiar o principal motivo para que um órgão não seja doado no Brasil. De todas as mortes encefálicas e que, portanto, os órgãos poderiam ser transferidos para pacientes que correm risco de morte, pouco mais da metade se transforma em doação. O número é alto e cresceu de 41%, em 2012, para 47% em 2013, segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).
Entre as 34.543 pessoas que esperavam um transplante no País em dezembro, 21.264 precisam de rim, 10.293 de córnea, 1.331 de fígado, 539 de pâncreas e rim, 282 de coração, 172 de pulmão e 31 de pâncreas. Em 2016, 2.013 pessoas que estavam na fila por um órgão, morreram. Dessas, 82 eram crianças. No ano passado, as centrais estaduais de transplantes identificaram 10.158 pessoas que tiveram morte encefálica e poderiam ser doadoras. De 5.939 famílias consultadas, 2.571 (ou 43%) não deram a autorização necessária.
Campanhas de conscientização são realizadas em Ituverava
No município, são realizadas constantes campanhas de conscientização sobre a importância da doação de órgãos, sendo a maior parte delas realizada pela Secretaria Municipal de Saúde e pela Santa Casa.
Em Ituverava não são realizados procedimentos deste tipo, mas tem parceria com o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Sendo assim, as pessoas interessadas em doar órgãos são encaminhadas pela Santa Casa de Ituverava para Ribeirão Preto.
Da mesma forma, os ituveravenses que precisam receber transplantes, podem entrar em contato com a Santa Casa, que manda as informações para o hospital.
Saiba como funcionam as etapas da doação de órgãos
É o ato de permitir que uma ou mais partes do corpo (órgãos ou tecidos) sejam retiradas de um paciente após a morte dele para que possam ajudar outras pessoas. No caso dos órgãos, o transplante precisa ser feito horas após o falecimento para que o funcionamento no receptor não seja inviabilizado. Em alguns casos, a doação também pode ser feita em vida.
Como ser Doador
O ideal é manifestar a vontade de doar e informá-la à família. Não adianta deixar o desejo expresso por escrito nem um registro — mesmo gravado em vídeo ou declarado em uma rede social, por exemplo. A decisão final é dos familiares: são eles que definirão se e quais órgãos e tecidos serão doados.
Quando a doação é possível
Não é qualquer tipo de morte que viabiliza a doação. Para que os órgãos possam ser transplantados, é preciso que sejam retirados enquanto o coração ainda bate artificialmente — o que só é possível em casos de morte encefálica, quando todas as funções do cérebro param de maneira completa e irreversível. Essa é a definição legal de morte. Quando cessam todas as funções neurológicas, o organismo é mantido “funcionando” com a ajuda de aparelhos.
Como ainda há uma pulsação e o corpo está quente, há dificuldade de os familiares entenderem que aquela pessoa efetivamente está morta, que se trata de uma situação irreversível. E a negativa familiar diante de situações como essa é a principal causa que impede a doação de órgãos. É por isso que, apesar do grande número geral de mortes, a quantidade de possíveis doadores é baixa.
Quem pode e quem não pode Doar
Há critérios de seleção destinados a impedir que órgãos pouco saudáveis sejam utilizados em transplantes. A idade não costuma ser um deles: crianças e idosos podem ser doadores, assim como qualquer pessoa que tenha tido a morte encefálica confirmada. Mas a causa da morte e o tipo sanguíneo do doador, entre outros fatores, ajudam a definir quais partes de um corpo poderão ajudar outras pessoas. No Brasil, só há restrição absoluta à doação de órgãos por parte de pessoas com aids, com doenças infecciosas ativas e com câncer. No entanto, indivíduos com alguma doença transmissível podem doar para pacientes que tenham o mesmo vírus, como no caso das hepatites.