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27/11/2017
Quatro dos cinco museus de Ribeirão Preto (SP) estão fechados por falta de manutenção dos acervos e dos prédios públicos. Até a Justiça interveio no problema e determinou um prazo para o início da restauração dos museus Histórico e do Café, no campus da USP.
A administração municipal alega não ter recursos, mas a secretária da Cultura, Isabela Pessotti, diz que está buscando verbas junto à União e ao Estado, e tentando firmar parcerias com a iniciativa privada, para conseguir sanar essas situações.
Fechados desde março do ano passado, quando o forro de uma das salas desabou devido a infiltrações, os museus Histórico e do Café passaram por reforma de R$ 400 mil, pagos com recursos de empresários, mas continuam ameaçados por cupins.
Já o Museu da Imagem e do Som (MIS) nem chegou a abrir. Em agosto de 2016, a Prefeitura fez uma parceria e reformou todo o prédio na Avenida Francisco Junqueira, mas logo depois a fiação elétrica foi furtada. O acervo segue na Secretaria Municipal da Cultura.
Localizado próximo ao Bosque Fábio Barreto, o Museu Municipal da Segunda Guerra Mundial também não recebe visitas porque, segundo a administração, está passando por uma reforma – sem prazo para terminar – e não há funcionários para permanecer no local.
“A cultura infelizmente é deixada de lado. A gente defende que o investimento em cultura significa investir em segurança pública, em educação, em saúde”, diz Renato Vital Dos Santos Pinho, secretário interino do Conselho Municipal da Cultura.
Pinho reclama que o próprio Conselho está funcionando interinamente há dez meses com integrantes da gestão passada, porque o governo não resolve um impasse jurídico em relação à composição do grupo.
“Um novo projeto de lei para o Conselho de Cultura foi elaborado entre o conselho e o poder público. Foi realizada uma audiência pública e a Prefeitura deveria enviar esse projeto de lei para a Câmara Municipal, mas isso ainda não aconteceu”, critica.
Mais problemas
Mas, não são apenas os museus e o Conselho de Cultura que enfrentam problemas em Ribeirão. Fechado há um ano e três meses, depois de uma restauração que custou R$ 1,2 milhão, o Teatro de Arena foi alvo de vândalos e furtos.
Toda a fiação elétrica, as torneiras dos banheiros, as maçanetas das portas e até um elevador para deficientes físicos foram levados pelos ladrões. Conclusão: sem funcionamento e manutenção, o local está deteriorando com a ação do tempo.
O artista conta que acompanha a aplicação das verbas no município e reclama que a previsão de orçamento para a Secretaria da Cultura em 2018 é a menor dos últimos 15 anos: 0,5% do total. Racy também afirma que esse índice nunca ultrapassou 1,6%.
“Nós passamos por um processo de desmantelamento de todos os programas. Hoje, a Secretaria de Cultura realiza muito pouco. Ela realiza eventos do calendário oficial, investe muito pouco em formação cultural”, diz.
Buscando recursos
A secretária da Cultura, Isabela Pessotti, reconhece os problemas da pasta e diz que está tentando parcerias com os governos federal e estadual, e com a iniciativa privada, para reabrir os museus o quanto antes.
“Talvez, a gente não tenha o montante neste momento para a pasta destinado dentro do orçamento municipal, mas a gente tem outros socorros, outras formas de pleitear recurso para fazer fomento, difusão, enfim, cumprir o Plano Municipal de Cultura”, afirma.
Isabela alega que o impasse em relação ao Conselho Municipal está nas mãos dos próprios conselheiros, que defendem uma composição tripartite, com dois terços das cadeiras ocupadas por representantes da sociedade civil e o restante por membros do poder público.
A Prefeitura, por sua vez, tenta uma formação paritária, ou seja, que o número de membros seja dividido igualmente entre a população e os agentes públicos. Enquanto o embate não for resolvido, o projeto de lei não será encaminhado à Câmara Municipal.
“Tenho brigado muito por isso, porque vejo o Conselho como um parceiro, não como uma oposição. Já fui do Conselho há muito tempo e acho que a demanda do Conselho, essas críticas todas à gestão e tudo mais são legítimas”, diz a secretária.
Fonte: g1.globo.com