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15/07/2010
Radicado em Uberlândia, Marcelo Prado conta como superou os problemas de visão e se tornou expoente no setor empresarialItuveravense foi secretário de governo de Minas Gerais
O ituveravense Wilson Marcelo Barbosa Prado, 54 anos, é um exemplo de superação. Mesmo lutando contra uma doença degenerativa que lhe reduziu a visão a 30%, formou-se em Agro-nomia, especializando-se em Produção de Grãos.
Entre tantas atividades que exerceu, ele cursou mestrado em Administração de Empresas e tronou-se vice-presidente da Divisão Agro do Grupo Algar. Depois de atuar por 21 anos no Grupo e com apenas 1% de visão em razão de uma cirurgia mal-sucedida, montou sua própria empresa, a MPrado Consultoria Empresarial & Associados, voltada para profissionalização da gestão de empresas. Além disso, foi secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de Minas Gerais.
Hoje, ele reside em Uberlândia e sua empresa atua em 25 Estados brasileiros, atendendo desde egamultinacionais a empresas de médio porte.
Veja, abaixo, os principais trechos da entrevista:
Há quanto tempo se mudou
“Meu nome é Wilson Marcelo Barbosa Prado. Me mudei de Ituverava há 36 anos, precisamente em janeiro de 1974, para fazer cursinho, em Ribeirão Preto. Naquela época, para ingressar em uma boa universidade era necessário fazer o curso preparatório para vestibular em Ribeirão ou São Paulo”.
Formação e vida profissional
“Em julho de 1974, ingressei na Unesp em Jaboticabal, para cursar Agronomia e me formei 4 anos depois, em julho de 1978. A minha escolha pela profissão se deu pela afinidade que eu tinha com fazendas e com a área agrícola, por influência do meu pai, avó e tio Antônio Sérgio Quadros Barbosa”.
“Fazer este curso, para mim, foi um grande desafio, pois desde os 8 anos de idade havia perdido 50% da visão e, aos 18 anos, estava com apenas 30%. Tive de vencer grandes barreiras e desafios para conseguir me formar. O meu médico oftalmologista disse que seria impossível eu concluir o curso e que eu deveria optar por Direito, Economia ou Administração. Mas, como sempre fui determinado a alcançar os meus objetivos, segui em frente e consegui”.
“Eu me especializei na Produção de Grãos, principalmente, em soja. Trabalhei por cerca de 15 anos comandando a ABC Agricultura e Pecuária, em Uberlândia que tinha a segunda maior área plantada do Brasil”.
“Em 1989, passei por uma cirurgia em Cuba, para correção da visão, mas foi mal sucedida e caiu para 1%. Aí, sim, acreditei que o meu médico estava certo. Precisei reconstruir a minha carreira profissional, fiz um mestrado em Administração de Empresas e assumi a vice-presidência da Divisão Agro de todo Grupo Algar, que congregava área agrícola, pecuária, processamento de soja, sementes, destilaria de álcool, frigoríficos de carnes e exportação de madeira”.
“No Grupo Algar, trabalhei até 1999. Nestes 21 anos, tive grandes oportunidades de aprendizado: fiz cursos de especialização na Europa e nos Estados Unidos, conheci 50 países e visitei as principais empresas globais”.
“Em 1999, fundei a minha própria empresa, MPrado Consultoria Empresarial & Associados, voltada para profissionalização da gestão de empresas, e hoje atuamos em 25 estados do Brasil e atendemos desde megamultinacionais à empresas de médio porte. Neste período, também atuei como professor convidado da Fundação Getúlio Vargas, USP, IBmeq e Dom Cabral, nas áreas de liderança, estratégia empresarial e gestão, além de ser palestrante em eventos – geralmente faço cerca de 4 à 5 palestras por mês”.
“Em 2002, ocupei o cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico (Indústria e Comércio) do Estado de Minas Gerais”.
Freqüência de visitas
“Após a perda dos meus pais, há cerca de 15 anos, a minha freqüência de visita à cidade ficou muito pequena. Entretanto, tenho ótimas lembranças da minha infância, dos meus amigos e familiares que moram na cidade. Sempre cito nas minhas palestras com muito orgulho a minha origem e a minha cidade-natal”.
“A vida empresarial leva a gente para outros rumos e o trabalho árduo em prol do desenvolvimento dos negócios, infelizmente, faz com que a gente se distancie dos lugares e pessoas que amamos. Sinto muita falta dos meus tios Antonio Sérgio Quadros Barbosa e Rita de Cássia Borges de Oliveira Barbosa, e também, da minha segunda mãe, Leila Pavan, que chamo carinhosamente de Ita”.
Lembranças de Ituverava
“Tenho muito boas lembranças de Ituverava, da minha infância, quando estudava na Escola Fabiano Alves de Freitas e no Ginásio Estadual “Capitão Antônio Justino Falleiros”. Lembro com muito carinho dos meus professores e de vários amigos, como: Célio Witer Rezieri, Carlos Augusto Alves Aquino, Raul de Paula Perez “Raulzinho”, José Moreira Coimbra Neto (“Zequinha Coimbra”), Marco Antonio Brito, José Aquino de Oliveira Júnior, Andrew de Paula Costa, Washington Pimenta de Souza Gomes, Jorge Luiz Souza (‘Baiano’), Pascoal Luiz Lorechio, Sílvio Azevedo, Jorge Elias e James Domite Abdala, entre outros...”.
“Lembro das partidas de futebol na rua, dos carrinhos de ‘rolleman’ e das pipas. Lembro também dos bailes da Associação Atlética Ituveravense. De quando montamos uma banda para tocar nos bailes de toda região, chamada JetMusic, dos carnavais no clube e de rua que a gente desfilava; no clube, tínhamos os blocos que normalmente quase todos os anos a nossa turma vencia”.
Fato que mais lhe marcou
“O que mais me marcou em Ituverava e que eu tenho muita saudade é o calor humano das pessoas. Naquela época, a gente podia brincar na rua, dormir com as portas das casas abertas. As pessoas eram muito solidárias e amigas. A convivência com os meus irmãos, Luciano e Camila, também foi algo muito especial para mim. Hoje, ele mora em Ribeirão Preto e ela em São Paulo, e nós preservamos uma sólida relação. Gostaria que tivéssemos mais próximos e convivêssemos mais.
Amigos da juventude
“Preservo e cultivo grandes amizades, como Célio Witer Re-zieri e Pascoal Luiz Lorechio, que moram aqui em Uberlândia, e com o Carlos Augusto Alves Aquino, meu compadre, que é médico urologista em Barretos”.
“Célio é meu amigo desde o 1º Grau (Ensino Fundamental). Na faculdade, fomos contemporâneos e moramos na mesma república. Quando ele se formou, eu o convidei para trabalhar no Grupo Algar, onde está até hoje. É um excelente amigo e profissional”.
“Uma história que recordo é que quando jogávamos juntos no futebol ‘dente-de-leite’, da Associação Atlética Ituveravense ele era o melhor do time, mas quando começou o meu problema de visão, tive de deixar a equipe titular. Ele sempre foi um bom companheiro e nas ‘peladas’ sempre me colocava em seu time”.
“Do amigo Pascoal, as lembranças são de quando começamos a tocar guitarra e ensaiávamos na garagem da sua casa. O Carlos Aquino era meu vizinho. Eu me lembro que só na casa dele tinha TV em cores, e todos sábados à noite, íamos assistir as competições de luta livre na televisão”.
Análise de Ituverava
“Eu acredito que Ituverava é uma cidade bem localizada geograficamente, que tem uma grande vocação para o agronegócio, mas que não soube realizar uma verticalização para o desenvolvimento de indústrias, um comércio forte e também o fomento da área de serviços. À distância, percebo que a cidade tem se tornado um pólo de Educação, fato este que acredito ser fantástico para nossa cidade. No Brasil, temos um conceito que a cidade para ser boa precisa ter mais de 1 milhão de habitantes. Eu não penso assim. Por exemplo, na Europa, os cidadãos não querem que suas cidades cresçam, e sim, que cresça a renda per capita. Portanto, precisamos rever os conceitos, precisamos fazer com que a renda per capita de Ituverava cresça, e não necessariamente a população”.
Do que mais gosta e do menos gosta
“O que eu mais gosto em Ituverava é do calor humano das pessoas, amizades construídas com raízes fortes, alegria das pessoas para as festas.
Porém do que não gosto, são das informações que a associação atlética Ituveravense está decadente.
Sugestão para Ituverava “O fomento à área de Serviços e à Educação poderá ser uma alternativa interessante para o futuro da cidade”.
Voltar a morar na cidade
“Eu não penso em morar em Ituverava mais, porque todos os meus negócios hoje estão em Uberlândia e São Paulo (capital), e dois filhos em cada uma dessas cidades e o mais velho na Austrália. Dessa forma, as minhas raízes em Uberlândia hoje são muito profundas, mas Ituverava estará sempre no meu coração ocupando um lugar muito especial, e se um dia eu puder fazer algo pelo bem e desenvolvimento da cidade farei com muito prazer”.
“Gostaria de aproveitar a oportunidade para agradecer a chance de conceder essa entrevista para esse jornal tão importante e tradicional de nossa cidade. E dizer para os jovens que acreditem sempre nos seus sonhos, e em suas visões, porque quando a gente é determinado e persistente, a gente consegue vencer”.
Raio X
Nome: Wilson Marcelo Barbosa Prado
Idade: 54 anos
Profissão: Engenheiro Agrônomo e empresário
Pais: Wilson Ferraz Prado e Maria Luiza de Quadros Barbosa Prado (falecidos)
Irmãos: Luciano Guilherme Barbosa Prado e Camila Maria Barbosa Prado
Esposa: Kamila Loureiro Alves Prado, 34 anos, empresária, proprietária do Subway Fast Food, em Uberlândia.
Filhos: Guilherme Carrijo Barbosa Prado, 27 anos, cursa pós-graduação em Tecnologia da Informação, voltado para Segurança de Redes em Sidney (Austrália); João Paulo Viera Prado, 22 anos, que acabou de se formar em Administração de empresas na FAAP, em São Paulo; Luiz Fernando Viera Prado, 20 anos, que cursa sexto semestre de Administração de Empresas, na FAAP; Eduardo Loureiro Prado, 8 anos, cursa o 2º Ano do Ensino Fundamental, na Escola “Espaço Letrado”, em Uberlândia; Ana Luiza Loureiro Prado, 5 anos, que cursa a pré-escola na “Espaço Letrado”