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ECONOMIA

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20/08/2012

RODOVIAS E FERROVIAS VÃO RECEBER INVESTIMENTO DE R$ 133 BILHÕES

A presidente Dilma Rousseff, anunciando plano de privatização

Serão construídos dez mil km de estradas de ferro, que ligarão oito principais portos do país

Difícil trafegar, difícil transportar mercadoria. São rodovias mal conservadas e com apensa uma mão de tráfego. Estão assim nove estradas consideradas essenciais para o país, e que cruzam sete Estados e o Distrito Federal.

Para tentar solucionar esta delicada e importante questão, a presidente Dilma Roussef anunciou pacote de concessões de infra-estrutura que pretende, em cinco anos, dobrar a expansão das rodovias e ferrovias do país.

São estradas que o governo vai entregar para a iniciativa privada. As empresas ficarão responsáveis pela duplicação e manutenção de 7,5 mil quilômetros de estradas, o dobro do que existe hoje. O BNDES pode financiar até 80% do investimento e ganha a concessão quem cobrar o pedágio mais barato.

Serão R$ 133 bilhões de investimentos, incluindo também a construção de 10 mil quilômetros de estradas de ferro. Serão 12 novas ferrovias, que ligarão oito portos, como Salvador, Santos e Rio Grande do Sul, que também transportarão passageiros. Vencem as empresas que oferecerem a menor tarifa.

Empresários
Os maiores empresários do país foram chamados para o anúncio do pacote, em Brasília. “Esse mega pacote é um espetáculo para o Brasil. É um kit felicidade para o Brasil”, afirma o empresário Eike Batista.

“Isso para esse momento é extremamente importante o que está se fazendo. Daqui a dois, três anos talvez tenhamos que fazer mais”, afirma o empresário Jorge Gerdau.

Em 2007 foi lançado um plano de concessão de rodovias, no governo do presidente Lula. A maior parte das obras não se concretizou, lembra o PSDB. “Um novo pacote é anunciado de forma espetaculosa e nós não imaginamos quais serão as conseqüências desse anúncio”, afirma o senador Álvaro Dias.

“Pacote não é privatização”,afirma a presidente Dilma
O PSDB ainda alfinetou a decisão do governo de aderir a uma idéia que já chegou a ser rejeitada pelo PT: a privatização. “Nós, aqui, não estamos desfazendo de patrimônio público para acumular caixa ou reduzir dívida. Nós estamos fazendo parceria para ampliar a infra-estrutura do país, para beneficiar sua população e seu setor privado, para saldar uma dívida de décadas de atraso em investimentos em logística, e, sobretudo, para assegurar o menor custo logístico possível, sem monopólios”, explica a presidente Dilma Rousseff.

Pela previsão do governo, na prática, a duplicação das rodovias e a construção das ferrovias começam no ano que vem. Mas a cobrança de pedágios nas estradas só poderá ser feita quando 10% das obras estiverem prontas.

Nova estatal
Uma nova estatal, a Empresa de Planejamento e Logística, passa a ser a responsável pela malha de transportes do Brasil. “Temos que melhorar as condições de circulação nas rodovias para diminuir o custo do transporte rodoviário. Com rodovias melhores, os caminhões circulam mais rápido e produzem mais e o frete fica mais barato”, afirma Bernardo Figueiredo, presidente da Empresa de Planejamento e Logística.

Essas obras, segundo o governo, complementam o PAC – o Programa de Aceleração do Crescimento – e na semana que vem deve ser anunciada a concessão de portos e aeroportos.

Empresário ituveravense diz que qualquer ação na área é bem-vinda
Para o engenheiro industrial e administrador de empresas, Luiz Eduardo de Branco, que é diretor da Indústria Santa Maria – empresa ituveravense que atua em todo o Brasil –, a ação do governo vem com muito atraso.

“Os noticiários informam constantemente de congestionamentos nas estradas, portos entupidos de navios e caminhões, e falta de locais de armazenamento, etc. Todos nós sabemos que os resultados do Agronegócio só não são melhores devido os sérios problemas de logística do país”, afirmou o empresário, que também é professor do curso de Administração, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ituverava (FFCL).

Infra-estrutura
Eduardo de Branco ressalta que o investimento em infra-estrutura é um dos principais fatores do grande desenvolvimento da China, nos últimos anos. “O chamado ‘Apagão Logístico’ é agravado pelas constantes greves da Policia Federal, Anvisa e Policia Rodoviária. A meu ver, o Ministério dos Transportes promoveu uma ‘grande faxina’ no ano passado, mas que pouco ajudou a mudar os constantes erros cometidos no passado. O pacote relata a concessão para iniciativa privada, que nada mais são as chamadas privatizações do governo FHC, muito criticado pelo PT”, complementou Branco.

O empresário ituveravense finaliza. “Qualquer ação para destravar o Brasil é bem-vinda. O sistema de logística no país está falido e é o maior responsável por perdas em toda cadeia produtiva. Conclusão: a privatização de rodovias e portos chega como importante solução para o problema, seguido de maior utilização de ferrovias e hidrovias pouco exploradas no país”, conclui.

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